Quadro (em) branco

Quebrando a abstinência de escrever. Depois de uns bons dias – dois meses para ser mais exato -, aqui estou, tirando as teias, assoprando a poeira dos cantos e tentando dar uma renovada. Talvez soe repetitivo, comecei este blog dessa maneira, mas quem se importa? Eu não.

Não foi por preguiça, comecei vários textos, eles só não queriam ter um fim. E mesmo que eu tentasse reescrevê-los depois, ou só continuar, nada. Ficavam sempre chatos, sem sentido… Destino: lixeira.

Tiro o chapéu para aqueles que, além de escreverem bem, conseguem escrever em qualquer situação ou momento. Só apertar o on e as palavras aparecem da forma mais coesa e coerente possível.

Quando tudo parece mais do mesmo, é difícil ter criatividade. Não sou uma pessoa muito talentosa para isso, gosto de escrever quando tenho assunto; quando não tenho, melhor não forçar. Bom senso também é bom.

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Speak in Tongues

Nessa semana, estava passeando com a minha cachorra, quando dois rapazes com roupa social e a bíblia em mãos me pararam para conversar. “Oi, irmão, podemos tomar um minutinho do seu tempo para explicar a nossa missão”. Eu: claro. Mesmo que a resposta fosse “não, obrigado”.

Então, eles começaram todo o discurso. Disseram que querem espalhar a mensagem de Deus, que querem espalhar o bem. E, assim, sem mais nem menos, perguntaram se eles poderiam passar em casa para conversar melhor comigo e com a minha família.

“Aham, claro, sempre convido estranhos para um café em casa”. Para mim, é tudo um golpe para assaltar famílias ”cegas”, mas mesmo que isso seja verdade, algumas igrejas precisam realmente recrutar pessoas? Abordando-as nas ruas?Não sei se funciona com alguém, a minha opinião continua a mesma.

“Pô, irmão, você não acredita em Deus? Olha lá heim!” Eu não sou nenhuma pessoa religiosa, nunca fui. E aposto que se eu dissesse que meu deus se chama Buda, ele reagiria da mesma forma com o seu “olha lá heim!” As pessoas precisam aprender a respeitar a diversidade religiosa, assim como a falta de uma religião.

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

“O difícil aprendizado de aceitar o diferenciado”

As pessoas insistem em bater na mesma tecla, não fazem questão nenhuma de abrir os olhos e abandonar um pensamento fanático e alienado. A manchete não é de hoje, as pessoas inventam desculpas banais para julgar aquilo que não lhes convém.

Ontem, dia 27, um vídeo da deputada estadual Myrian Rios causou polêmica. Ela diz que quer ter o direto de despedir uma empregada lésbica, temendo que esta abuse de sua filha, sem ser punida pela Lei. Quer dizer que se uma empregada heterossexual abusar do filho está tudo bem? “High Five e uma breja pro muleque”?

Ninguém do partido dela cutucou o seu ombro e disse “viu, qualquer caso de pedofilia é punido por lei”? Olhe como a ignorância de uma pessoa distorce os fatos reais. Querendo utilizar um argumento que sustentasse sua opinião, criou outra escassa e cheia de preconceito.

Não consigo compreender, é tão difícil aceitar alguém “diferente”? Incomoda tanto assim? Não sei se sou eu, mas estou muito mais preocupado com o meu bem-estar, minha felicidade, meu trabalho… E o que mais me incomoda é o retardado que estaciona na frente da minha garagem.

Abra os olhos. Nem tudo o que aprendemos na infância é coerente.

Publicado em Uncategorized | 1 Comentário

Giz

Antes que chova novamente, vamos manter a calma – ou pelo menos tentar. Esquecer que amanhã é segunda-feira e que ficaremos alguns dias sem nos ver. Assim, quem sabe, hoje durará mais.

Antes que a música acabe, vamos dizer o que pensamos. Aproveitar os minutos que restam. Cantarolar a letra que nos conhece tão bem. Acompanhar a melodia que dita os movimentos. É tudo o que temos.

Antes que acordemos, que tal sonharmos mais um pouco? Deixar a televisão falando sozinha, ignorar o cachorro do vizinho e a campainha. Viver e esquecer o mundo lá fora.

Antes que chova novamente, e tenhamos que desenhar tudo de novo, vamos ser nós mesmos. Aceitar sem pedir explicação. Estar presente sem pedir atenção.

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Promessa é promessa

A sua necessidade de prometer transborda dos olhos, escorre pelo rosto e borra a maquiagem. Você diz o que as pessoas querem ouvir, dá o que elas querem receber, promete o que elas não podem ganhar.

As suas palavras tropeçam em cada vírgula, perdem a coerência e morrem em cada ponto final. Não há vida. Não há amor. Apenas a luxúria e mais alguns pecados.

Não quero encontrar conforto em suas desculpas. Não quero compreender seus arrependimentos. O que passou passou, está enterrado e morto. Espere a sua vez e peça remição.

Promessa é promessa e vice-versa. Assim, nós vivemos e aprendemos.

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Mais estranho que a ficção – Parte II

Espere a chuva passar e, quando a roupa secar, finja que quer voltar para casa. Diga que está tarde e que amanhã você precisa acordar cedo. E no último segundo, perca as chaves e fique um pouco mais.

Você reclamará da vida, dirá que o mundo anda complicado e que tudo está errado. “É esta sensação que não passa. É a insegurança que não acaba.”

Enquanto conversamos, as músicas contam as histórias de nossas vidas. E na TV, passam as séries que tanto amamos. Fazendo graça com a situação, relacionando as cenas com o que fizemos ontem.

Procure nas entrelinhas, há muito mais o que você pode ver.
É tudo tão covarde. Mas mesmo assim eu queria tentar.

Publicado em Uncategorized | 1 Comentário

Mensagens que nunca enviei

Sempre que damos “oi”, lembro que ainda tenho muito para te contar. Tudo o que senti não passou despercebido, eu só escolhi não falar. Até tentei… Descrevi através de frases soltas – algo singelo, sem culpa ou pretensão, apenas sincero -, mas sempre há novos protagonistas para interceptá-las.

É tudo muito confuso. Ora quero expulsar demônios e dizer milhares de coisas, ora me sinto tão pequeno e frágil que prefiro ficar em silêncio e guardar tudo em um caixa, trancada e enterrada.

Nessa bipolaridade, na maioria das vezes, coloco o meu ego – ou a simples falta de colhões – no pedestal e passo a viver no mundo do “e se…”, perdendo mais tempo, imaginando como seria a vida se…

Sempre tenho muito para falar, mas não quero estragar o momento, não seria justo para você, então, resolvo me calar. E, assim, passo os dias fugindo do presente, revirando o passado, brindando nossas infelicidades cotidianas.

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário